Dra. Milena Zanella, CRM-SC 12586 | Julho 2026 | Leitura: 6 min

Se alguém já te disse para “deixar a unha respirar” antes de passar esmalte de novo, você não está sozinha. É uma das orientações mais repetidas em salões e conversas de skincare, principalmente no inverno. O problema é que ela não tem base científica. Neste artigo, explicamos o que realmente acontece com a unha durante o uso contínuo de esmalte, e o que de fato ajuda a recuperá-la.

A unha não respira, e nunca respirou

A placa ungueal, a parte visível da unha, é formada por queratina morta. Ela não tem vasos sanguíneos nem troca gases com o ar. O oxigênio e os nutrientes que sustentam o crescimento da unha vêm da matriz e do leito ungueal, localizados por baixo da placa, através da corrente sanguínea. Ou seja, mesmo com esmalte cobrindo a unha por semanas, não há nenhuma “sufocação” acontecendo, porque não existe troca respiratória para ser interrompida.

De onde vem esse mito

A crença provavelmente existe porque, quando alguém faz uma pausa no esmalte, a unha realmente aparenta estar mais saudável depois. Só que essa melhora vem de hidratação e de uma pausa na exposição a produtos químicos, como o removedor com acetona, não de qualquer tipo de respiração. É fácil confundir causa e efeito quando o resultado final parece confirmar a crença popular.

O que realmente resseca a unha

O uso repetido de removedores com acetona é o principal responsável pelo ressecamento e enfraquecimento da unha. A acetona é um solvente forte, remove óleos naturais da placa ungueal e da cutícula a cada aplicação. Esmaltes e bases com formaldeído ou tosilamida também podem causar ressecamento ou dermatite de contato em peles sensíveis. Nenhum desses fatores tem relação com falta de ar, e sim com exposição química repetida.

O que realmente ajuda a recuperar a unha

A recomendação com respaldo real é simples: hidratar sempre, com ou sem esmalte. Óleo de cutícula aplicado diariamente, de preferência à noite, e um bom hidratante de mãos fazem mais diferença do que qualquer período sem pintar. Prefira também removedores sem acetona quando possível, e evite exagerar na frequência de trocas de esmalte muito próximas.

A Academia Americana de Dermatologia (AAD) recomenda uma pausa do esmalte em gel apenas para reidratar e recuperar a unha do estresse do procedimento, e não para ela “respirar”. A melhora observada nesse período vem do descanso químico e da hidratação, não da exposição ao ar.

Por que essa orientação aparece mais no inverno

Não existe uma razão fisiológica sazonal específica. A explicação mais provável é cultural e climática: no inverno, a pele e as unhas já ficam naturalmente mais ressecadas pelo ar frio e seco, o que reforça a recomendação de pausas e cuidados extras justamente nessa época. É também um período de menos exposição de mãos e pés, o que reduz a pressão estética por manter o esmalte sempre aplicado.

Resumindo

  • A unha nunca respira, com ou sem esmalte.
  • O que resseca é o removedor com acetona em excesso, não a falta de ar.
  • O que recupera a unha é hidratação constante, não pausa.
  • Pausar o esmalte pode ajudar, mas pelo motivo certo: menos exposição química e mais chance de hidratar.

Perguntas frequentes

Preciso mesmo dar uma pausa no esmalte de tempos em tempos?

Não é obrigatório, mas pode ajudar, desde que você aproveite esse período para hidratar bem a unha e a cutícula. O benefício vem da hidratação e do descanso químico, não de qualquer troca de ar.

Esmalte em gel resseca mais que o esmalte comum?

O processo de remoção do gel costuma ser mais agressivo, geralmente envolve mais tempo de acetona e, às vezes, lixamento da unha. Por isso a AAD recomenda um intervalo maior entre aplicações de gel.

Unha fraca ou quebradiça sempre é falta de cuidado com esmalte?

Nem sempre. Unhas fracas também podem ter causas nutricionais, hormonais ou dermatológicas. Se o problema persiste mesmo com boa hidratação e removedores adequados, vale uma avaliação médica.

Tem uma queixa parecida com a unha ou a pele?

Agende uma avaliação com a Dra. Milena Zanella ou o Dr. Vitor Azulay. Cada caso é único, e uma consulta ajuda a entender o que realmente está por trás do problema.

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